Sinpro: A bem sucedida greve nacional da educação rumo à greve geral de 14 de junho

Professores e professoras, orientadores e orientadoras educacionais do magistério público do DF durante a Greve Nacional da Educação em 

Um dia depois da Greve Nacional da Educação contra o corte de 30% no setor, a equipe econômica do governo Bolsonaro prevê mais bloqueios que podem variar de R$ 5 a R$ 10 bilhões em razão da nova estimativa de receita que poderá ser divulgada ainda nesta quinta-feira (16).

Os cortes são efetuados no âmbito da Lei de Responsabilidade Fiscal – uma lei criada no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) para atender e escoar dinheiro público para o sistema financeiro (bancos) por meio de um instrumento de desvio de dinheiro público denominado dívida pública: uma dívida sob suspeita que nunca foi auditada.

Nem mesmo a grande mobilização popular dessa quarta-feira (15) não foi suficiente para demover o governo dos cortes na educação. A Greve Nacional da Educação, convocada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) para ser um protesto contra a reforma da Previdência (que irá afetar negativamente todo o magistério do país), foi fortalecida e ampliada com as pautas sobre os cortes de verbas do setor da educação.

Com habilidade e experiência, a CNTE manteve o foco na luta contra a reforma da Previdência e, ao mesmo tempo, abarcou a pauta dos cortes que destroem não só a educação básica e superior pública e gratuita, mas, extingue a pesquisa científica produzida nas universidades federais e estaduais públicas.

As fake news do dia seguinte
Contudo, o noticiário do dia seguinte não tratou a ação popular com respeito. A grande mídia do Distrito Federal disse que apenas seis mil pessoas compareceram no gramado imenso da Esplanada dos Ministérios. Mas, em Brasília, cerca de 50 mil pessoas participaram da Greve Nacional da Educação.

Esse tipo de manipulação é denominada de fake news e sucede em todas as regiões do país: a imprensa reduz o número de participantes para desqualificar a grande manifestação popular que aconteceu nessa quarta-feira, arrefecer a opinião pública e desunir a classe trabalhadora.

Em Salvador, Bahia, mais de 70 mil pessoas. E, assim, a greve mobilizou mais de um milhão de pessoas em mais de 220 municípios. Todas as capitais levaram multidões às ruas. Ao vermos o país explodir em protesto contra os cortes na educação e contra a reforma da Previdência, vimos que o Brasil deu uma resposta como nunca se viu em defesa da educação.

Um movimento cívico, forte e suprapartidário
O Brasil viveu, mais uma vez, um imenso movimento cívico, suprapartidário, democrático, que envolveu centenas de milhares de defensores(as) da pesquisa científica, da escola pública e gratuita, da educação de qualidade e de um país soberano. Foi um movimento comparado às Jornadas de Junho de 2013. Um grande ato preparatório para a Greve Geral de 14 de junho.

Assim como a imprensa, o Presidente da República ofendeu, omitiu e mentiu quem foi às ruas e também quem não foi, mas, apesar de não ter ido, está do lado de quem paga impostos para ter investimentos do dinheiro público nos setores sociais do país e de quem rejeita a privatização generalizada da educação pública superior e básica e o extermínio da pesquisa científica.

Com suas agressivas e desrespeitosas declarações, o Presidente da República cunhou, definitivamente, a marca de sua gestão: um governo sem nenhuma preocupação com a demanda social, já estrangulada pela Emenda Constitucional 95 (EC95), de 2016, que congelou por 20 anos investimento do dinheiro público nos setores essenciais para canalizar o 40% do Orçamento do Estado para o sistema financeiro.

O desprezo pelas lutas da classe trabalhadora
Numa demonstração de desprezo pelas áreas sociais, o Presidente da República despejou sua agressividade e intolerância contra as pessoas e as legítimas e autênticas manifestações populares ao classificar os manifestantes de “idiotas úteis” e “massa de manobra” e seu autoritarismo ao afirmar que, se tiver de fazer mais cortes, irá fazê-lo.

O gesto do Presidente da República consolida o já conhecido desprezo que ele tem pelas mobilizações populares e sua abominação aos diretos sociais. Bolsonaro abnega mais uma vez da possibilidade de ser um estadista para ser um reles ocupante do Palácio do Planalto que desrespeita, cotidianamente, brasileiros e brasileiras que discordam da política econômica entreguista, privatista e excludente adotada no país.

Nas redes sociais, o “Tsunami da educação”, nome dado pela imprensa independente à manifestação dessa quarta, engoliu a narrativa da mídia empresarial e dos fake news. A própria Rede Globo, no jornal Bom Dia Brasil desta quinta-feira (16), confirmou que a gestão Bolsonaro é um fiasco ao mostrar que o período em que a educação foi mais valorizada e teve mais investimento foi entre 2008 e 2017. Ela disse que, nesse período, houve um aumento de investimento na educação de 91%, a 7% ao ano.

O fim do Fundeb e o desnorteio do ministro da Educação
Ela também chamou atenção para a crise do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), que irá ser extinto em 2020 e o governo Bolsonaro nem sequer o pautou no Ministério da Educação (MEC).

Criticou o ministro da Educação, Abraham Weintraub, que, em vez de falar de temas relevantes e pendentes da educação, foi à Câmara dos Deputados, nessa quarta-feira (15), para ofender parlamentares. Com agressividade e sem foco, o ministro não soube justificar tantos cortes financeiros na educação para verter tanto dinheiro público para o sistema financeiro por meio da chamada “dívida pública”.

Na sabatina, ele não falou nada, por exemplo, sobre o Fundeb, cuja extinção está prevista para ocorrer em 2020. O fim do Fundeb não é uma preocupação do governo de plantão. E ao permitir sua extinção, o governo Bolsonaro irá eliminar, mortalmente, o direito dos(as) estudantes à educação pública e reduzirá os salários dos(as) professores(as).

Mais do que isso, com o fim do Fundeb, irá prejudicar profundamente a economia dos estados e municípios porque, formado com dinheiro dos estados e municípios e, uma parte, com dinheiro federal, o Fundo é o grande financiador da educação básica e colaborador das regiões mais pobres. É o principal instrumento para combater as desigualdades e financiar a educação.

A Greve Nacional da Educação foi um sucesso e mostrou que a classe trabalhadora e os movimentos sociais, como os movimentos docente e estudantil, estão atentos e preparando o país para combater todos os ataques à educação, à Previdência e demais direitos sociais. É por isso que o Sinpro-DF permanece em luta contra o desmonte da educação, da saúde, da Previdência e da Assistência Sociais, e de todas as políticas públicas. Convocamos a todos e todas para a Greve Geral no dia 14 de junho.

 

 

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