CUT se reúne com entregadores por aplicativo para articular representação da categoria

O trabalho feito através de plataforma digital, sem vínculo empregatício e a garantia de qualquer direito trabalhista, vem se alastrando e gerando profundas feridas na classe trabalhadora do Brasil e do mundo inteiro. Diante dessa nova configuração da precarização do mundo do trabalho, a CUT vem se articulando para garantir direitos a essas novas categorias de trabalhadoras/es e o direito à representação sindical. Nesse sentido, no próximo dia 23,  a Central se reunirá com entregadores por aplicativo. O encontro será às 16h, na sede da CUT Brasília.

“Os trabalhadores estão totalmente descobertos da legislação trabalhista e de outros direitos que foram conquistados com muita luta no passado. A CUT compreende que, nessa nova realidade, precisamos organizar esse segmento para avançar na conquista de direitos trabalhistas e previdenciários”, disse o secretário de Políticas Sociais da CUT Brasília, Yuri Soares .

Para Pedro Igor, que trabalha como entregador por aplicativo há seis meses, “unir os trabalhadores é uma iniciativa muito importante”. “Somos uma categoria nova e ainda estamos desprotegidos. Teoricamente, somos nós contra a empresa, porque não temos nenhuma representação. É mais importante ainda para o empoderamento do trabalhador e para que ele sinta que não está sozinho.”

“Uberização em massa”

Com a alta do desemprego e a dificuldade de inserção no mercado de trabalho, vários jovens têm buscado novas formas de ganhar dinheiro. Reflexo dos avanços tecnológicos e das mudanças no mundo do trabalho, a entrega por aplicativo surge como uma opção promissora.

A princípio, a proposta parece atrativa. O trabalhador precisa apenas ter um celular e uma bicicleta/moto para fazer as entregas de comidas. Baixa o aplicativo, se cadastra e pronto. Está apto a trabalhar. Ganha por entrega realizada e ainda pode fazer seu próprio horário.

Entretanto, o problema está na rotina exaustiva, na carga horária acima da que permite a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e no alto índice de acidente, muitos deles com possibilidade de morte. Em média, para que se ganhe o mínimo necessário para viver, o entregador precisa estar nas ruas por, pelo menos, 12 horas diárias. Isso se tiver a sorte de pegar um dia com muitas entregas.

Outro ponto preocupante é que esses trabalhadores não estão resguardados pela legislação trabalhista. Assim como acontece com os motoristas por aplicativos, os entregadores não têm qualquer tipo de vínculo com a plataforma. As empresas sequer fornecem as ferramentas de trabalho ou de proteção, como capacetes, por exemplo. Muitos entregadores, inclusive, sem alternativas, alugam bicicletas para fazer entregas. Além disso, o trabalhador precisa desembolsar cerca de R$ 50,00 para comprar a bolsa térmica, exigida pelos aplicativos.

No caso dos entregadores com bicicleta, a situação é ainda mais complicada, tendo em vista que o seu ganho depende exclusivamente da sua força física. “Hoje, nossa maior dificuldade, além da questão do valor, é o custo de trabalho. A gente se cansa muito, fica muito tempo na rua e, às vezes, não compensa”, relata o entregador Pedro Igor.

Ele também destaca que, além da desvalorização da mão-de-obra, há um certo preconceito com a profissão. “Muitas vezes, o cliente e o lojista não tratam a gente com o devido respeito e sofremos preconceito apenas por ser entregador. É como se ficássemos invisibilizados na sociedade”, conta.

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