Edneide Arruda: As mulheres e os 100 dias de perdas

O presidente Bolsonaro marcou a passagem dos 100 dias de seu governo, alardeando a adoção de suas medidas para a sociedade brasileira. As medidas das quais o presidente se vangloria são reveladoras do quanto seu governo é misógino e contrário às mulheres, que já computam muitas perdas, neste curto espaço de tempo. Senão, vejamos:
O projeto anticrime, do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, é um estímulo à violência. Não por acaso, especialistas consideram este projeto uma “política de extermínio”. Ele assegura que um agente policial ou de segurança pública que venha a praticar um crime em “legítima defesa”, possa ter sua pena reduzida pela metade ou até mesmo anulada, desde que tenha praticado tal excesso movido por “medo, surpresa ou violenta emoção”.
Para feministas, os assassinatos de mulheres irão triplicar. Não sem razão. De janeiro até agora, já foram registrados mais de 130 casos de feminicídios, que é o assassinato de mulheres pelo simples fato de serem mulheres, e mais de 70 tentativas de homicídios.
O governo Bolsonaro também mudou um edital para compra de livros escolares, retirando de um de seus artigos, o compromisso com ações de combate à violência contra a mulher. Também quer, a qualquer custo, armar a população, facilitando, por decreto, a posse de armas em casa ou no local de trabalho.
O superministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos não dispõe de recursos para custear a Casa da Mulher Brasileira, conforme anunciou a própria ministra Damares Alves.
Na sua proposta de reforma da Previdência, Bolsonaro também quer ampliar o tempo de contribuição e/ou a idade mínima de homens e mulheres, para a aposentadoria. Sua proposta desconsidera que a carga de trabalho doméstico não é remunerada nem tampouco dividida com os homens.
No país que tem um projeto que dá “licença para matar”, um decreto que autoriza a posse de arma de fogo e escolas isentas de ações de combate à violência contra a mulher, fica nítido que as mulheres são as principais vítimas das medidas adotas por seu presidente. São 100 dias só de perdas. E, neste cenário, a via para enfrentá-lo, não há dúvidas, é a resistência.

• Edneide Arruda é jornalista e feminista.

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