Flávio Bolsonaro tinha relação com milicianos suspeitos no caso Marielle

Ex-assessor de Flávio, Fabrício Queiroz, supostamente se escondeu na comunidade de Rio das Pedras, comandada pela milícia investigada no RJ

A operação “Os Intocáveis”, deflagrada nesta terça-feira (22) contra a milícia que controla a comunidade carioca de Rio das Pedras, estava ligada à investigação sobre o assassinato de Marielle Franco, mas acabou trazendo indícios no mínimo suspeitos sobre a família Bolsonaro. A mãe e a esposa de um dos denunciados na operação foram empregadas no gabinete de Flávio Bolsonaro quando ele era deputado estadual. Além disso, dois dos alvos das investigações sobre a morte de Marielle foram, ainda, homenageados por Flávio.

Raimunda Veras Magalhães, mãe do ex-capitão Adriano Magalhães da Nóbrega – que é procurado – aparece em relatório do Coaf como uma das remetentes de depósitos para Fabrício Queiroz, ex-motorista de Flávio. Funcionária da Assembleia legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) desde 2015, ela foi lotada no gabinete de Flávio em 29 de junho de 2016 e exonerada em novembro de 2018.

Raimunda, de acordo com o relatório do Coaf, depositou R$ 4,6 mil na conta de Fabrício Queiroz. Ela aparece na folha da Alerj com salário líquido de R$ 5.124,62.

Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, esposa de Adriano (o que está sendo procurado pela polícia), também foi lotada no gabinete de Flávio na Alerj, com o mesmo salário da sogra, segundo informou o G1. Ela foi exonerada junto com a sogra depois das eleições em 2018.

Milicianos homenageados na Alerj
O ex-capitão Adriano Magalhães da Nóbrega, procurado pela operação “Os Intocáveis”, e o major da PM Ronald Paulo Alves Pereira, preso na manhã desta terça (22), foram homenageados na Alerj em 2003 e 2004, por indicação do deputado estadual Flávio Bolsonaro.

Adriano ainda chegou a receber a medalha Tiradentes, a mais alta honraria do Legislativo fluminense. Ronald ganhou a moção honrosa quando já era investigado como um dos autores de uma chacina de cinco jovens na antiga boate Via Show, em 2003, na Baixada Fluminense. Ele agora foi denunciado por comandar negócios ilegais como grilagem de terra e agiotagem.

Após homenagear os dois principais suspeitos de comandarem a milícia que estaria envolvida no assassinato de Marielle Franco, Flávio Bolsonaro foi o único a votar contra a proposta de Marcelo Freixo (PSol) de conceder a medalha Tiradentes em homenagem à vereadora.

Fala de Flávio Bolsonaro na abertura da CPI das milícias

Na abertura da CPI das milícias no Rio de Janeiro, em 2008, Flávio ainda chegou a defender esse tipo de organização. “Sempre que ouço relatos de pessoas que residem nessas comunidades, supostamente dominadas por milicianos, não raro é constatada a felicidade dessas pessoas”, disse na ocasião, conforme documentado na Ordem do Dia.

Rio das Pedras seria esconderijo de Queiroz
A comunidade de Rio das Pedras, local onde atua a milícia de Adriano Magalhães da Nóbrega e Ronald Paulo Alves Pereira, teria sido o local onde Fabrício Queiroz se escondeu entre os dias 7 e 20 de dezembro, quando veio a tona o caso de movimentações suspeitas no valor de R$ 1,2 milhão. A informação foi divulgada por Lauro Jardim.

Entenda a operação “Os Intocáveis”
A operação surgiu para investigar integrantes de duas organizações: a milícia que controla a comunidade de Rio das Pedras, surgida em meados dos anos 2000, e a organização conhecida como “Escritório do Crime”, uma espécie de braço da milícia, especializado em assassinatos por encomenda.

Nesta terça-feira (22) a operação prendeu ao menos cinco suspeitos de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, sendo que a Justiça expediu 13 mandados de prisão preventiva.

Os principais alvos da operação eram o major da Polícia Militar Ronald Paulo Alves Pereira; o ex-capitão do Bope, Adriano Magalhães da Nóbrega, chefe da milícia de Rio das Pedras; e o subtenente reformado da PM Maurício Silvada Costa, conhecido como Maurição.

A operação foi uma parceria do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP-RJ com a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil.

Além do caso de Marielle Franco e Anderson Gomes, o objetivo da ação do MP-RJ seria atacar a milícia por explorar o ramo imobiliário ilegal em Rio das Pedras, com ações violentas e assassinatos.

Da Redação da Agência PT de notícias, com informações do G1, O Globo e de Lauro Jardim

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