Um governo de contradições

Por Aristóteles Cardona Júnior*

O governo de Bolsonaro nem começou mas já parece uma grande bagunça, como se diz por aqui. Futuro ministro fala uma coisa e em seguida vem Bolsonaro e fala outra. Pior que isso, é quando aparece um filho qualquer dele e já anuncia um outro fato. Como se o governo fosse um grande comando familiar. Porém, para além desta bagunça aparente nos discursos, precisamos ir além.

Para quem criou uma narrativa de que construiria um governo sem acusados de corrupção e a partir de critérios técnicos, o futuro presidente anda bem incoerente, são vários os futuros ministros acusados de alguma forma de corrupção. A começar pelo Onyx Lorenzoni, futuro Ministro da Casa Civil, que admitiu Caixa 2 e chegando ao Mandetta, seu futuro Ministro da Saúde, acusado de participar de esquema fraudulento quando foi Secretário lá no Mato Grosso do Sul.

Mas, vou me ater mais à questão da saúde agora, porque Bolsonaro é responsável por um grande caos que está se instaurando. Graças às suas ameaças e declarações, mais de 8 mil médicos cubanos estão deixando o Mais Médicos e retornando ao seu país. Estamos falando de um universo de milhões de consultas que deixarão de ser realizadas todos os meses por conta desta atitude. Mas este é um assunto que pretendo voltar novamente para tratar com mais detalhes em breve.

Por ora, retorno ao tema da coluna e quero falar da indicação do deputado Luiz Henrique Mandetta para o Ministério da Saúde. Em primeiro lugar, é preciso que fique claro o componente político de sua indicação. É o terceiro ministro indicado do DEM, ex-PFL, que durante muitos anos ocupou postos importantes no governo de FHC e retornou ao governo federal com Michel Temer.

Além disso, é preciso destacar a forte relação do Mandetta com a corporação médica, através do Conselho Federal de Medicina, e com a UNIMED, empresa de assistência médica da qual foi diretor durante um bom tempo. Aponto estes fatos não como um problema em si. Mas para nos atentarmos às questões dos interesses políticos envolvidos. Bolsonaro vende a idéia de um ministério técnico, quando na realidade não é isso que se passa e acontece nos bastidores.

No fim das contas, o governo de Bolsonaro já começa muito mal. Contraditório no discurso e nas práticas. Basta dizer que 4 de seus futuros ministros, até aqui indicados, passaram também pelo governo de Temer. Vamos seguir acompanhando e torcendo para que os impactos no povo sejam os menores possíveis. Mas o começo está terrível.

Aristóteles Cardona Júnior é médico de Família no Sertão pernambucano, Professor da Univasf e militante da Frente Brasil Popular de Pernambuco.

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