O discurso “descolado” de Cristovam

Sob pretexto de discutir “A pauta dos jovens”, o senador Cristovam Buarque (PPS-DF) publicou em 3 de julho artigo em um dos jornais produzidos em Brasília no qual deita palavrório com o fito de construir um discurso descolado, sobre emprego, cultura, meio ambiente e coisa e tal.

E conseguiu. O senador mostrou-se, de fato, completamente descolado. Da realidade.

Seu texto fala de jovens antenados com robótica e inteligência artificial, capazes de entender que “o emprego futuro será resultado de educação comprometida com empregabilidade, de leis trabalhistas flexíveis adaptadas às mudanças no mundo e da capacidade dos jovens para o empreendedorismo”.

Retórica cínica. Coisa de espertalhão. Educação comprometida com empregabilidade e leis trabalhistas flexíveis, lado a lado. O apelo à saída pelo empreendedorismo completa o embuste das premissas de sinais trocados.

Ora, o fato é que Cristovam Buarque é hoje um político sem pauta alguma, a não ser a de negar e combater ideias que o alçaram a cargos eletivos de destaque. E é fazendo isso que ele agora tenta cabalar votos para novo mandato.

O senador precisa mesmo é se explicar aos jovens do Distrito Federal e do resto do país. Seus votos em favor dos sucessivos golpes de Michel Temer contra a juventude, contra o povo todo e contra o Brasil apontam, sim, para um futuro sem direitos, de incertezas e de angústias.

Cristovam votou pela mudança do marco regulatório do pré-sal, inviabilizando a garantia de destinação de recursos obtidos com a exploração de petróleo para a educação e a saúde. Votou em favor da Emenda Constitucional 95, que congela recursos para áreas sociais, incluindo educação e saúde, por 20 anos.

Com a escassez progressiva de recursos para as áreas sociais ao longo dos próximos anos, os jovens que hoje morrem em número assustador – cerca de 26 mil ao ano – por falta de um sistema educacional que os inclua e os leve adiante ficam cada vez mais vulneráveis à violência e à evolução negativa dos dados estatísticos.

A reforma trabalhista de Temer, abertamente defendida pelo senador em seu artigo, está provocando redução de empregos formais e queda na renda média dos trabalhadores. Está deteriorando as condições de vida no presente e turvando o futuro, sobretudo para os jovens.

E dizer que “os jovens não querem aposentadoria imediata” não é apenas um disparate, algo fora de contexto e completamente sem nexo. É, sobretudo, um sofisma para a defesa da reforma dos sonhos de Temer, a da Previdência, na qual o jovem, que hoje sequer consegue emprego, perde de vez a perspectiva de um dia se aposentar.

Para aviltar ainda mais a realidade dos jovens do Distrito Federal, o senador Cristovam atua com afinco para lançar como candidato ao Governo do Distrito Federal um cacique local do PSDB, Izalci Lucas, autor de projeto inspirado no Escola sem Partido, que ameaça introduzir ideias obscurantistas nas escolas, tirando da juventude a oportunidade de formação crítica e cidadã. Importante lembrar ainda que será o Cristovam o fiador do “programa” para a educação do Geraldo Alckmin, candidato do PSDB à presidência, e que em sua gestão no governo de São Paulo foi marcada pelo escândalo do roubo das merendas escolares.

É triste o fim da imagem de um intelectual que se fez exatamente como portador de propostas progressistas para a educação brasileira. Em nome de perspectivas eleitoreiras, abandona qualquer coerência, para vestir o nariz de tucano e decepcionar ainda mais o povo do Distrito Federal.

Erika Kokay, Deputada federal e presidenta do PT no DF, para o Site 247

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