Júlio Miragaya: Candidatura própria ao GDF para eleger Lula Presidente

O Distrito Federal, por suas funções político-administrativas, depende fortemente do setor público, federal e distrital: 50% do PIB; 23% dos empregos diretos; 55% da massa salarial e perto de metade da receita tributária são oriundos do setor público. Dessa forma, as soluções políticas e econômicas para os problemas do DF dependem, mais do que em outras partes do país, das soluções que se dará à crise em que o golpe mergulhou o Brasil.
Lula livre, Lula Presidente, Lula com Constituinte é o eixo norteador de toda e qualquer campanha eleitoral petista e todo e qualquer programa de governo para o DF. Conforme versa o caderno de Resoluções do VI Congresso do PT realizado em 2017: “A principal bandeira de nosso programa é a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte livre, democrática e soberana, destinada a reorganizar estruturalmente o Estado brasileiro e aprovar reformas que reorganizem suas bases socioeconômicas e institucionais, dilaceradas pelo governo usurpador. A democratização das instituições brasileiras é preâmbulo indispensável para as demais reformas estruturais”.
Eleger Lula e convocar a Constituinte é a condição para revogar o conjunto de reformas pró-mercado feitas pelos golpistas e devolver o Brasil aos brasileiros. Em seu histórico discurso de 7 de abril, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Lula apontou o caminho: Não vão vender a Petrobras! Vamos fazer uma nova Constituinte!
Vamos revogar a lei do petróleo que eles estão fazendo! Não vamos deixar vender o BNDES, não vamos deixar vender a Caixa, não vamos deixar destruir o Banco do Brasil! E vamos fortalecer a agricultura familiar.
Na condição de especialista em Desenvolvimento Econômico, Planejamento Urbano e Regional e
Planejamento e Gestão Territorial, creio que a defesa dos serviços públicos e das estatais é crucial para tirar o DF do impasse em que se encontra, pois o comércio e o setor de serviços dependem da renda gerada no setor público, que vive uma fortíssima crise, em função do arrocho promovido pela Emenda Constitucional 95,da não reposição dos empregos no setor público; do arrocho salarial sobre o funcionalismo público e do déficit fiscal.
Nossa estratégia de desenvolvimento deve compreender a recuperação do setor público como dínamo de nossa economia e a diversificação de nossa estrutura econômica. A agricultura tem peso de apenas 0,5% no nosso PIB e a indústria de transformação, de pífios 1,7% (menor que Roraima ou Amapá). Decorre dessa base produtiva pouco diversificada nossa elevada taxa de desemprego (18,6%, com 307 mil desempregados, segundo a PED/DF ou cerca de 500 mil, considerando o conceito de desemprego ampliado da PNAD). A situação se agrava com o quadro dramático em nossa periferia metropolitana, formada por 12 municípios goianos, a mais atrasada do país.
Nossa campanha ao GDF deve contemplar a proposta de um planejamento (de médio e longo prazos) de desenvolvimento integrado com a periferia metropolitana, focado numa estratégia de diversificação da base produtiva, principalmente com a ampliação e melhoria de nossa infraestrutura econômica visando atrair investimentos industriais, priorizando setores de alta intensidade tecnológica, mas não desprezando setores da indústria tradicional, única saída para reduzir o elevado grau de desemprego, gerar renda para a população e aumentar a receita tributária própria.
Evidentemente, tudo isso depende de, debatendo com o povo, desmontar a farsa jurídica e impor uma derrota aos golpistas, garantindo a candidatura e a eleição de Lula e de uma forte bancada distrital e federal por Brasília. Nesse sentido precisamos trabalhar para construir um arco de alianças conforme as resoluções do 6º Congresso, com “quem partilhe de uma perspectiva anti-imperialista, anti-monopolista, e radicalmente democrática”. A campanha do governador estará a serviço dessa luta!

Sobre o autor:

Carioca do bairro de Bangu, nascido em 1957, filho de pai padeiro e mãe dona de casa. Reside em Brasília desde 1992, atualmente na 413 Sul. Doutor em Desenvolvimento Econômico Sustentável pelo CDS da UnB. Foi assessor na Câmara dos Deputados e Senado e Coordenador no Ministério de Integração Nacional. Foi presidente da Codeplan no governo Agnelo. Integrou a executiva da CUT-RJ e diversas entidades de classe além de presidir o Conselho Federal de Economia. Militou no movimento estudantil da UFRJ desde 1975. Fundador do núcleo pró-PT da UFRJ e presidente da Zonal do PT-RJ (Inhaúma) em 1980. Foi dirigente executivo Estadual do PT-RJ. É membro da
coordenação do Diálogo e Ação Petista no DF (DAP) e foi delegado ao Congresso do PT/DF de 2017 participando da chapa unitária como um dos delegados da tese Unidade pela Reconstrução do PT.

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